(Helder Bentes)

Inveja a vaca não me causa mais.
Aquele de Quem ela herdara o dar cria
Mostrou-me o sol nascente por trás
Das montanhas de dor choradas outro dia.
Quem de uma vaca com sino ao pescoço precisa
Tem o nada em si, sentidos débeis, morte em vida.
Quem de usar o outro é capaz assim
É mais digno da vaca que de mim.
E pra trás ficou o fato, o ato virou memória.
E minhas mãos erguidas ao alto receberam
Fogo que arde ao se ver a ferida que dói
E que se sente em descontente merencória.
E meus olhos lacrimosos dedos santos tatearam
E se me abriu a visão do que a alma me corrói.
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